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A cidade mais bela do mundo

A incursão seguinte foi à cidade mais bela do mundo. Não foram poucas as vezes que ouvi gente bastante rodada dizer isso. Chico Buarque é um desses rodados. Meu modesto passaporte não tem cacife para contrariá-lo. Diante dos olhos, o que vejo é mesmo um universo paralelo. Mas do que praças e fontes, há arquitetura iluminando esquina em cada canto da cidade. Aquela língua estranha aos meus ouvidos confirmam que estou mesmo em outra dimensão.

Não há a riqueza que chega a espantar em Zurique, nem o excesso de organização da Alemanha. Tudo lá parece mais espontâneo e menos artificial. A cordialidade e também as impaciências manifestas nos tchecos são naturais. Talvez seja influência daquelas construções imensas sem reconstruções. São originais. Como diz nosso anfitrião Jan (diz-se Ian), o comportamento dos soldados tchecos explica esse fenômeno. É que no momento das batalhas, eles preferiam tomar cerveja e, sem bombardeios, as infinitas igrejas, os castelos, monumentos e prédios diversos foram preservados.

Aliás, a cerveja também é famosa e de ótima qualidade. Tomei uma caneca de meio litro e achei amarga. Definitivamente, não gosto desse treco. Muito melhor foi o pato assado típico da Bohemia que comi lá. Saca só que delícia. O Hugo comeu porco.



Assim como a boa comida, as mulheres também o são. Loiras e morenas de cabelo, mas sempre branquinhas. Os olhos claros que estão por toda parte são diferentes, nem sei dizer se são azuis ou verdes. Mesmo assim, ainda não conheci uma cidade igual Goiânia. Tá, pode ser bairrismo meu.

Mas em Praga tudo é muito bonito. Deslumbrado com prédios, praças, parques, ruas, becos e escadarias, tirava fotos de tudo. Logo as pilhas da câmera pediram arrego.

Hoje já foram dois posts. Deixo pra fechar praga no próximo, que deve ficar pra segunda-feira. Tenho de acabar de arrumar a mochila que levo a Paris, o penúltimo destino. Só pra constar: finalmente faz frio em Freiburg, apesar de estarmos na primavera. A temperatura mínima chega a 5°. Bom, né? Hora dessa bem que eu poderia ter companhia mais apropriada que o Hugo. Mas ele é um bom camarada.

Escrito por Leandro Coutinho às 09h07
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Em Potsdam, a coroação

No último dia em Berlim pegamos um trem para visitar Potsdam, a cidade vizinha que acumulou no decorrer dos anos diversas residências de reis e chefes de Estado. Na verdade, a iniciativa era minha. Queria conhecer o Castelo de Cecilienhof (Cecilienhof Schloss), cenário importante do livro O Bom Alemão e da história mundial.

O trajeto de pouco mais de 20 minutos nos levava a um lugar sobre o qual pouco sabíamos. Eu disse ao Hugo que não poderíamos deixar de ir a Potsdam porque lá era muito bonito e tinha grande representação histórica. Mas eu mesmo não lembrava bem os nomes dos lugares de lá, li o livro há mais de dois anos e não tinha nenhuma familiaridade com os incontáveis nomes em alemão contidos nele. Ao chegar à estação e pegar o mapinha da cidade tive um palpite: "acho que é aqui, Cecilienhof Schloss".

Depois de algumas pernadas em vão e de muito apanhar daquele mapinha meia-boca chegamos ao local que à primeira vista parecia uma cabana de campo. Mas era mesmo um castelo de descanso do Kaiser Wilhelm II, mas de cabana só tem o aspecto, construção de pedras rica madeiramento. É um prédio imenso que de tão agradável serviu de palco para um evento histórico que pode ser tratado como o ponta-pé inicial a nada menos que a Guerra Fria. Saca só esses caras fazendo pose na entrada. Essa foto, sim, é histórica.



Eu e o Hugo estivemos dentro da sala onde foi assinado o Tratado de Potsdam, cuja primeira reunião teve presentes um José, um Franscico e um cara de nome complicado. Peraí, deixa eu copiar os nomes (copiar nada, escrevo de memória e assumo o risco de errar). Eram o primeiro-ministro britânico Winston Churchil e os presidentes o estadunidense Franklin Delano Roosevelt e o russo Joseph Stalin. Ficamos diante daquela mesa

(saca só essa foto) onde os caras se discutiram horas a fio o destino da Alemanha pós Segunda Guerra Mundial. A divisão entre estadunidenses e britânicos e russos serviria mais tarde para dividir a capital com um muro, o tal Berliner Mauer de minha mensagem anterior.

Não se pode tirar foto lá dentro, mas fiz pose de rei diante da imensa janela do lado de fora da sala de reuniões. Essa vidraça imensa aí é o tal lugar. Acredite, tem uma coroa em minha cabeça. Nesta foto pequena não dá pra ver a réplica que comprei pela bagatela de 20 euros. Sou rei e tenho coroa, falta o reinado. Tô quase lá.



O pé do Hugo pediu arrego. Andamos menos no domingo, já que o calo estourou. A maratona foi puxada. Três dias para recuperar fôlego para rumar a Zurique e Praga, dia 15.

Escrito por Leandro Coutinho às 08h29
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Silêncio

Naquela noite escura não deu pra perceber o que havia do outro lado da rua, ali onde foi tirada a foto das marcas do Muro de Berlim. Permaneciam em silêncio os habitantes que naquele lugar não vivem nem jazem, apenas são lembrados. Não daria pra contar, mas dizem que o Memorial do Holocausto tem 2,7 mil jazigos para lembrar negros, deficientes físicos, judeus, homossexuais e todo tipo de não-ariano que o nazismo julgava necessário exterminar para depurar o mundo.

Vítimas que não se enquadravam em nenhuma dessas categorias e nem se enquadravam numa cova, mas numa vala em que se confundia com outras centenas de corpos. Gente comum e gente como Jacob Stalin. Sim, filho do homem. É, morreu num campo de concentração. Carregava consigo o peso de ser filho de um dos homens mais poderosos de seu tempo. Era o quarto filho do chefe da União Soviética, que não o reconheceu oficialmente. Por sua origem era respeitado, mas não por si. Tinha um poder fantasioso e por ele era discriminado. Vivia perturbado por sua condição. No campo de concentração não foi diferente. Misturado entre ingleses presos de guerra, era humilhado. Limpava merda de britânico. Não suportou os dois extremos, jogou-se contra uma cerca eletrificada, que suportou seu peso até sua morte.

Teve vítimas como o próprio Adolph Hitler, devorado pela esfinge que criou. Teve um suicídio menos sofisticado, só uma bala. Seu Borba, também foi vítima. Foi morar em Goiás Velho fugitivo da guerra. Vítimas que não morreram, que vivem até hoje, que herdaram a morte de seus pais e a desgraça de suas famílias. Os 2,7 mil jazigos do memorial têm alturas variadas, desde a altura de minha canela até o dobro do meu tamanho ou mais. Contam no grãos de cimento (ou seja lá do que tenha sido feito) o número de vítimas do Holocausto.

Nem mesmo Churchill, nem Stalin, nem Roosevelt venceram, já que em guerras não há vencedores. Ganhou a humanidade uma grande lição de que não adianta brigar. E os alemães, com seu segundo maior exército de paz do mundo, herdaram a missão de pagar infinitamente com gentileza a condenação de seu passado. E o resto do mundo terá de retribuir os afagos alemães e assim segue o ciclo positivo.

A Europa tem demonstrado que abdicou da guerra entre vizinhos e dá exemplo de cordialidade não só na relações diplomáticas dentro da União Européia. Os anfitriões têm paciência e se esforçam para entender meu alemão embananado, dizem "obrigado" (danke schön) e "de nada" (bitte schön) o tempo todo e carregam com naturalidade a responsabilidade de serem amistosos. Admitem o irreparável erro cometida pela nação liderada por Hitler e estampa num monumento gigante que estão dispostos a reconhecer e oferecer as flores que foram depositadas nesses jazigos atrás de mim. Arrepio, silencio e reconheço minha culpa pelo Holocausto enquanto humano besta que ainda acha motivo pra discutir com alguém. Meu silêncio é minha rosa, meu esforço diário em ser gentil, a tentativa de oferecer a cordialidade à humanidade.





Escrito por Leandro Coutinho às 20h32
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Meia-maratona de Berlim

Acabamos de chegar de Praga, mas sigo com a ordem cronológica da viagem. No decorrer da semana atualizo o blog e alcançamos o presente.

Após Frankfurt, passamos nosso final de semana seguinte (de 8 a 11 de maio) em Berlim. Havíamos planejado chegar à cidade na manhã de sexta-feira após uma noite de sono no trem. Sendo assim, reservamos hotel para duas noites (sexta e sábado). O que não esperávamos é que não tivesse trem com percurso noite afora. Só tinha trem-bala, que alcança mais de 250 km/h e faz a viagem em 5 horas (são muitas paradas).

Tá bom, vamos chegar mais cedo. Após pouco mais de 5 horas na primeira classe, nos deparamos com nossa condição real de turista pé-rapado. Madrugada de sexta-feira (chegamos às 12h30) e não tínhamos destino. Fizemos uma horinha no Mc Café da estação de trem, mas tivemos de encarar as ruas desertas às 2 horas. Sim, tava frio. A previsão do tempo praquela noite era de 6°C.

Mesmo assim, eu e o Hugo fomos tomados pelo calor da emoção de conhecer monumentos belíssimos e ter a cidade só pra nós. Primeiro, o Bundestag (parlamento alemão). Em seguida, o Portão de Brandemburgo. Este é um dos principais monumentos da cidade, construído no século 17. Lá ao lado há uma placa que conta que nos cafés ali perto intelectuais e autoridades diversas da Europa discutiram no início do século passado o que deveriam ser os direitos da humanidade. Um grupo se reuniu diante do portão e os proclamou. Um largo passo para se chegar à atual Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sabe qual é o primeiro item ali inscrito? Liberdade de imprensa. Eu me arrepiava não só por causa do frio. Olha o danado lá ao fundo.





Atravessamos a rua e seguimos rumo ao centro. Observamos que no meio da calçada tinha duas fileiras de tijolos nivelados com o chão que seguia em linha reta até perder de vista. Mais um frio na espinha. "Só pode ser por onde passava o Muro de Berlim", disse. Tiramos essa foto aí no Tier Garten, em frente ao Brandenburger Tor.





Em seguida confirmamos: estávamos certos. Na Potsdamer Plazt nos deparamos com um pequeno trecho ainda de pé do Berliner Mauer. Tiramos fotos só os dois onde depois os turistas se acotovelavam para conseguir um espacinho. O fri das duas e tantas da madrugada tinha sua compensação. A sexta-feira foi de zumbi, já que não dormimos. Mesmo assim, completamos a Meia-maratona de Berlin, já que, segundo o celular do Hugo, percorrermos 20 km a pé o dia todo.

Mas o sábado foi de ferver. Fomos ao Estádio Olympia, sede da final da Copa do Mundo de 2006. Jogo entra Herta Berlin e Nürmberg. O primeiro, então em 14° na tabela sem chances de se classificar pra nada e o segundo, já rebaixado para a segundona do campeonato alemão.

O futebol era mesmo medíocre, os times não tinham pretensões nenhuma. E daí? As torcidas lotaram o estádio com 47 mil pagantes e gritaram quase ininterruptamente. Só pararam no intervalo pra comer salsicha e recarregar o canecão de chopp. Dá só uma sacada:





O Hugo comprou uma camisa e entrou na onda da galera. Quando o brasileiro Raffael fez um gol no segundo tempo, o único da partida, também vibramos aos gritos de "Toooorr"! Logo depois, nosso hino maior: "Um, dois, três, o Vila é freguês!" Uma turminha que estava à nossa frente olhou pra trás tentando entender os dois malucos.





Escrito por Leandro Coutinho às 13h32
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Floresta Negra além da torta de chocolate

Já se perguntou por que aquela tora deliciosa se chama Floresta Negra? Pois eu e o Hugo viemos saborear a original, a maior vegetação que existia na Alemanha. Fica bem ao sul, estamos perto da Suíça e da França. Olha eu e o Hugo no parque de Freiburg. É numa serra que fica a poucos metros de nossa casa.





Achei uma promoção de estudo de alemão e vim parar aqui nessa cidadezinha mais gostosa que torta de chocolate. Assim viemos parar aqui. Claro que pegamos um avião e usamos outros meios de maneira heterodoxa para os padrões brasileiros. Saca só essa foto.




Sentiu só. Só eu ao volante. Não sacou ainda? Vou dar uma dica: olha aqueles numeriznhos grandes. Não é hora, não sua anta! É o velocímetro digital. Pegamos uma Autobahn de Frankfurt pra cá e aceleramos o quanto o Renault Scénic conseguia. Foi só até 183 km/h. Da próxima vez vamos procurar um mais potente.

Já fomos também a Berlim, mas não vai dar pra contar agora. Daqui cinco horas partimos rumo a Zurique, onde passamos o dia até pegar vôo a Praga. Até segunda-feira, fico não navego na net. Guenta aí. Logo, logo a gente volta.

Escrito por Leandro Coutinho às 20h09
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Este mês volto a blogar - da Zoropa

Tem dois caipiras de Goiás trabalhando duro na Zoropa: eu e o Hugo. Vida dura! Tá escuro ainda a gente levanta. Escuro no Brasil, porque aqui já o sol tá alto lá pelas 10h (quando a gente tem boa disposição). Eu acordo um olho, só o de olhar no relógio. Assusto quando vejo a hora daqui. Abro o outro olho e vejo que no Brasil são 5h da madruga. Putz! Cedo demais! Melhor voltar a dormir. Ninguém merece acordar tão cedo! Sou bruto, mas não sou de ferro.
Eu e o Hugão estamos no mesmo quarto em Freiburg, onde chegamos dia 3. A Heide, uma mulher que lá pelos seus 50 e alguns exibe um belo sorriso de mãe, nos recebeu muito bem. Desde o início disse que iria sempre conversar em alemão, já que estamos aqui pra praticar a língua (tadinha, ela não entendeu a tal da língua já que em alemão língua é língua (Zunge) e a outra língua é idioma (Sprache)). A casa é um imenso sobrado triplex quase ao pé de um belo morro. Construção antiga, mas aconchegante. O quarto é imenso. Tem as duas camas, armário de duas portas, prateleira, duas mesas de seis lugares, sofá de três lugares e muito espaço pra abrigar quatro abajurs e o microondas (peça mais importante da casa). Essa foto é a vista a partir da nossa imensa janela.


Escrito por Leandro Coutinho às 20h28
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Em breve, haverá um especial do blog direto da Europa.

Escrito por Leandro Coutinho às 00h21
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Está no ar

Agora, sim, já está no ar. E estréia com uma grande entrevista exclusiva com o escritor colombiano Santiago Gamboa. Este aqui vai descansar por enquanto.

Escrito por Leandro Coutinho às 00h47
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Novo projeto

Está certo, devo admitir que nas últimas semanas este blog esteve menos movimentado. Estive empenhado em outra empreitada. O fato é que esta semana entra no ar o novo Blog do Coutinho. Ele será hospedado no site do , onde é publicada a coluna literária. Haverá algumas novidades tais como a divulgação dos livros mais vendidos e informarei sempre qual será o próximo livro da coluna. O mais interessante, claro, será o projeto gráfico que se identifica com a proposta do blog. Hoje mesmo haverá a aprovação dos últimos detalhes e nos próximos dias haverá a estréia.
Só mais um pouquinho de paciência.

Escrito por Leandro Coutinho às 08h35
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Coluna Literária

Comentários sobre o livro “Contos e Novelas Reunidos”, de Alaor Barbosa.
O escritor goiano nunca alcançou status de best seller, mas se iguala a contistas de primeiro escalão do regionalismo de 1930.

Acesse a Coluna Literária

Escrito por Leandro Coutinho às 13h25
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O mais recente fenômeno literário brasileiro

Jorge Amado, Chico Buarque, Machado de Assis estão entre alguns dos escritores brasileiros que venderam e vendem muito no exterior. Tem também o mais conhecido de todos, Paulo Coelho. Agora, exportamos Bruna Surfistinha.

No Amazon.com, uma versão em inglês é vendida a preço promocional de US$ 9,72. A sinopse de “The Scorpion's Sweet Venom: Memoir of a Brazilian Call Girl” diz que a autora é celebridade nacional, a Paris Hilton brasileira.

O site vende também a versão original em português e uma em espanhol. Esta, publicada pela editora Planeta, que edita também no Brasil. Na Espanha, o diário “La Vanguardia” publicou matéria sobre o livro, que já chegou por lá. Em breve, Raquel Pacheco (o verdadeiro nome de Bruna Surfistinha) vai fazer um tour pelo continente europeu para lançamento de “O Doce Veneno do Escorpião” na Alemanha, Itália e Holanda. Que coisa, não?!

Eis a capa da edição estadunidense:


Escrito por Leandro Coutinho às 21h08
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Coluna Literária de hoje


Comentários sobre o livro “O Túmulo do Fanatismo”, de Voltaire
A obra desconstrói mitos da bíblia cristã.

Acesse a Coluna Literária

Escrito por Leandro Coutinho às 12h05
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Doméstica indiana escritora



Uma empregada doméstica emplacou um best-seller na Índia num romance auto-biográfico. "A Life Less Ordinary", ou “Uma Vida Menos Banal”, de Baby Halder, foi traduzido para o inglês no início do ano e ganha notoriedade internacional. A obra foi escrita nas noites em que lhe sobrava tempo, depois de terminar as tarefas domésticas.

Pradodh Kumar é professor de antropologia aposentado e seu patrão. Descobriu seu interesse pela literatura ao ver que Halder folheava seus livros quando ia limpar as prateleiras. O professor a presenteou com caderno e caneta e deixou a nova aluna escrever por si nos primeiros meses. Depois, a ajudou a editar em forma de livro e enviou cópias a editoras.

As páginas ganharam forma de uma história dura que é também bastante conhecida dos brasileiros. Baby Halder foi abandonada por sua mãe aos 4 anos, casada aos 12 com um marido abusivo e mãe aos 13. Ela abandonou o casamento alguns anos depois e sofreu com a discriminação por sua condição. Segundo o jornal "The Hindu", a narrativa é árida e não cai no sentimentalismo. “O livro oferece uma imagem profundamente emocionante da vida de milhões de mulheres pobres indianas”, diz o jornal Herald Tribune.

Seu livro dá voz a um grupo de pessoas que por motivos de tradição e educação geralmente são condenadas a permanecer em silêncio. Ele oferece a visão de um lado desconhecido da vida indiana, que geralmente não atrai o interesse dos romancistas. A narrativa começa com um instantâneo de como sua mãe - exausta pelas prolongadas ausências do pai e seu fracasso em sustentar a família - sai do mercado um dia e nunca mais volta.

"Este não é um livro que pode ser lido e deixado de lado. Ele levanta questões sobre o destino dos milhões de trabalhadores domésticos em nosso país e como são maltratados", conclui uma resenha no jornal "The Hindu". Halder está escrevendo outro livro, mas ainda trabalha na casa Kumar.


Escrito por Leandro Coutinho às 22h40
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Coluna Literária da semana

Comentários sobre o livro “Ocidentalismo - O Ocidente aos Olhos de Seus Inimigos”, de Avishai Margalit e Ian Buruma

Acesse a Coluna Literária

Escrito por Leandro Coutinho às 10h56
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Aniversário de obras de Guimarães Rosa



“Corpo de Baile” e “Sagarana”. Assim como “Grande Sertão: Veredas”, “Corpo de Baile” chega a sua quinta década de publicação. “Sagarana” é outra obra aclamada e chega aos 60 anos. Com seus nove contos, provocou uma importante renovação na literatura brasileira no século XX.

Guimarães Rosa, com seu vocabulário próprio construído a partir de neologismos e expressões sertanejas, produziu uma obra que se encaixa em um estilo literário que deveria ser chamado Guimarães Rosa. Ninguém escreveu como ele ainda.

A editora Nova Fronteira lança no próximo dia 25 de julho edições de luxo de “Sagarana” e “Corpo de Baile”. Está empenhada em reeditar grandes obras e clássicos da literatura. Um desses epreendimentos é a coleção comemorativa de aniversário da editora “40 anos, 40 livros”. Os mais recentes lançamentos são “Os Mandarins”, de Simone de Beauvoir e “O Eu Profundo e Outros Eus”, de Fernando Pessoa.


Escrito por Leandro Coutinho às 08h09
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